Análise sobre a COP-17 (1)

dezembro 12, 2011

Foi notícia nos jornais de todo o mundo que a Conferência de Durban sobre mudança do clima resultou em um acordo denominado por muitos como histórico (veja um apanhado do que saiu na imprensa aqui). Alguns, principalmente as ONGs internacionais, entendem que o resultado não atende à ciência, pois adiou o acordo robusto e legalmente vinculante para pós-2020.

Uma equipe do GVces participou da COP-17 como parte da delegação brasileira e tem agora muito para digerir, discutir e analisar sobre a Conferência de Durban. Assim, como um primeiro “nano passo”, escrevo uma brevíssima análise sobre a Decisão da UNFCCC (sigla em inglês da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima) que estabelece o “Durban Platform for Enhanced Action” (Plataforma de Durban) – leia a Decisão.

Abaixo, expresso sinteticamente o que entendi do resultado “Big Picture”, ainda sem entrar em temas específicos:

Em Durban foi adotada a Decisão que cria o “Ad Hoc Working Group on the Durban Platform for Enhanced Action” que possui o seguinte mandato e principais características:

PLATAFORMA DE DURBAN

Itens Previsão da Decisão Comentário
Objetivo “Develop a protocol, another legal instrument or an agreed outcome with legal force under the UNFCCC applicable to all Parties Ponto forte: refere-se ao fato de que há uma mudança de posição que poderá incluir metas obrigatórias para EUA, Brasil, China e os demais emergentes com relação ao acordo pós-2020. Isso é fundamental para o aumento da abrangência de cobertura das emissões de Kyoto, que atualmente representam apenas cerca de 15% das emissões mundiais.Ponto fraco:Até 2020, o segundo período de compromisso de Kyoto (2013-2017 ou 2013-2020, período a decidir no ano que vem) continuará sem os EUA e ainda perdeu Japão, Rússia e Canadá, o que dificultará o cumprimento do que a ciência recomenda (-2ºC em relação aos níveis pré-industriais).
Prazos Início dos trabalhos: Segundo semestre de 2012Conclusão dos trabalhos: “No mais tardar” em 2015 Ponto forte: Foi possível fechar um “roadmap” com datas e o consenso dos maiores emissores.Ponto fraco: o esperado “acordo robusto global vinculante pós-2012” terá que esperar até 2020.

Em paralelo à Decisão sobre a Plataforma de Durban, saiu o Draft da Decisão que resultou da negociação sobre o segundo período de compromisso de Kyoto .

É importante ressaltar que desde o começo de Durban o principal entrave da negociação era fazer com que os EUA e o BASIC acordassem com um mandato de negociação que fosse forte o bastante para fazer com que a União Europeia concordasse com a extensão do Protocolo de Kyoto. O que funcionou em parte, tendo em vista que o mandato forte para negociação pós-2020 foi acordado e o Protocolo de Kyoto estendido, mas nesse último, não entraram o Japão, Rússia e Canadá.

Apesar de haver decisão sobre o segundo período de Kyoto, algumas definições ficaram para o ano que vem, tal como o período de vigência do novo Protocolo que será decidido entre 2013-2017 ou 2013-2020.

Todos os avanços já ocorridos no âmbito do Protocolo de Kyoto quanto à formatação base do sistema de contabilização, revisão, sistema de cumprimento e instrumentos de mercado foram mantidos e ganharam sobrevida com as bases já existentes. Isso terá influencia no atual mercado de carbono global e nas negociações pós-2020.
Por fim, destaco uma informação ainda não muito divulgada, que foi a inclusão de um novo gás de efeito estufa na decisão sobre o segundo período de compromisso: Trifluoreto de nitrogênio (NF3).

Espero que esse seja mais um “nano passo” para iniciar nossa digestão, estratégia e entendimento sobre os resultados da COP-17.

Guarany Osório

Equipe na COP 17 solta o verbo

dezembro 7, 2011

O GVces tem marcado presença nos últimos anos nas conferências climáticas da ONU. Este ano, na COP 17, uma comitiva maior viabilizou um trabalho de fôlego, envolvendo duas frentes: as Iniciativas Empresariais pelo Clima (IEC), uma parceria com CBEDS, CNI e Ethos para orientar e informar empresas brasileiras participando do evento e identificar discussões importantes para o setor empresarial brasileiro. Na outra frente, está a facilitação do Observatório do Clima (OC), rede de ONGs que atuam no contexto das mudanças climáticas no Brasil. Veja abaixo alguns dos posts escritos pela equipe. Confira todos os posts produzidos acessando o blog Empresas na COP (IEC) e o especial De Olho na COP-17 (OC) e acompanhe a cobertura da COP 17 pelo GVces nos canais do Twitter: @gvces e @obsclima

A redução sustentável do desmatamento é fundamental para todos os setores
Guarany Osório para Empresas na COP

Em evento com Marina Silva, OC lança manifesto na COP-17 contra as alteraçõe do Código Florestal
Ricardo Barretto para Observatório do Clima

O novo Código Florestal e possíveis impactos para o setor empresarial Brasileiro
Roberto Strumpf para Empresas na COP

Bancos e os investimentos em mudanças climáticas
Fernanda Rocha e Raquel Costa para Empresas na COP

Melhorias em avaliação para projetos de adaptação
Fernanda Carreira para Empresas na COP

Liderança brasileira em clima ameaçada: é preciso atitude em solo nacional!
Ricardo Barretto para Observatório do Clima

Bresser e os indignados

outubro 25, 2011

Escreveu ontem na Folha de S. Paulo o professor Luiz Carlos Bresser Pereira sobre o chamado movimento dos indignados: “Os jovens manifestantes não têm responsabilidade pela crise que está aí, nem possibilidade de resolvê-la. Os responsáveis somos nós, os mais velhos, as elites, os que dominaram e governaram.  Somos nós que temos que dar soluções.  Eles podem levantar o problema, podem debater, sugerir, mas nós que decidimos.” O autor não só reconhece a legitimidade do movimento como parece assumir a crítica daquela campanha irônica do Greenpeace “lembra como a sua geração sonhava em mudar o mundo … parabéns, vocês conseguiram”. Bastante elucidativo ler o depoimento de um professor de economia e ex-ministro do governo Fernando Henrique, que marcou a trajetória neoliberal no Brasil.

 

Um incômodo, porém, surge para mim quando leio o artigo de Bresser Pereira. Para ele, o movimento dos indignados teve início há seis meses na Espanha. Fiquei surpreso por ele não ter feito uma ligação do movimento que se vê agora no Ocidente com os levantes que há mais de um ano chacoalham os países árabes. Reconhecer a influência e contágio que o movimento desses povos exerce nos movimentos que agora tomam as ruas de nações desenvolvidas é dar espaço para a resposta que se espera à crise global socioeconômica e ambiental e aos descaminhos políticos que a ocasionaram. Em outras palavras, entender que soluções para essa crise talvez não venham das mesmas elites que a originaram, mas surjam de grupos e ideias que até então não eram tidos como relevantes, seja na comunidade internacional, seja no contexto nacional de cada país.

Ricardo Barretto

Manifestações sociais pelo mundo: um alerta para a COP

outubro 13, 2011

Quem acompanha as conferências da ONU sobre mudança do clima deve estar com a sensação de que essa é uma das mais mornas já realizadas nos últimos anos. A possibilidade de não se definir uma continuidade para o Protocolo de Kyoto, a baixa expectativa de decisões relevantes e o pouco debate sobre o tema na mídia, há pouco mais de um mês do 17o. encontro, dão a noção de como a coisa anda tépida.

Mas existe um elemento de novidade que distingue a Conferência de Durban das que a precederam: a COP 17 é a primeira que acontece após a onda de movimentos sociais que estão questionando as estruturas de liderança, controle e rumos políticos em diversas partes do mundo. Dos levantes no Oriente Médio, aos protestos na Europa, passando por respingos na China e na América Latina, e agora um movimento que toma força nos Estados Unidos.

De modo geral, esses movimentos afirmam não ser mais possível manter o mesmo padrão de tomada de decisão nas políticas econômicas e sociais, muitas vezes voltadas ao interesse de grupos reduzidos em detrimento da sociedade como um todo. Essa insatisfação generalizada, ainda que sobre realidades diferentes, clama por decisões políticas consistentes, focadas de fato no bem comum. Nesse sentido, teríamos um ambiente global propício para a renovação dos esforços e dos resultados da Conferência das Partes da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima. Afinal, estamos falando também aqui de governos lidando com um problema fundamental para o curso das sociedades que os sustentam e cujo histórico de decisões e sua aplicação na prática têm deixado a desejar. As evidências estão tanto no endereçamento tímido dos desafios e soluções relacionados à mudança do clima, por parte dos diferentes países, quanto na perda de legitimidade da ONU enquanto instituição que promove o entendimento para uma ação comum entre os países no combate ao maior desafio socioambiental da história recente do planeta.

Quando as manifestações sociais em diferentes parte do globo impõem às nações uma demanda por revisão de suas opções e estratégias políticas, acabam por colocar também um questionamento sobre como tem sido o posicionamento de cada um deles no contexto global. E o ambiente da COP não poderia estar de fora. Países que bloqueiam o avanço das negociações, países que boicotam medidas fundamentais para o combate às mudanças climáticas, países que se esquivam de compromissos com políticas de reestruturação do sistema produtivo para atender a lobbies específicos em detrimento da sociedade como um todo e ainda, só para citar alguns arquétipos encontrados no ambiente da COP, os países que propõem globalmente iniciativas que não correspondem a suas políticas em solo nacional.

Para o Brasil, a exemplo das outras nações, se coloca uma oportunidade de renovação da postura adotada no contexto da COP e principalmente de seu posicionamento interno. No caso brasileiro, um movimento social que pode ser tomado como termômetro do ambiente propício a uma ação governamental mais contundente e integrada no contexto das mudanças climáticas é a recente onda de protestos contra a corrupção, que parece ganhar força nas ruas. Nas manifestações contra corrupção é possível identificar como subtexto o descontentamento com ações (nesse caso, ilegais) voltadas a atender grupos específicos em detrimento do resto da sociedade e com as respostas paliativas do poder público, que não resolvem um problema crônico no Brasil.

Esse termômetro da sociedade indica o anseio por medidas de longo prazo e a adoção de políticas que redefinam os rumos do país nas mais diferentes esferas, de modo a garantir um futuro melhor para toda a sociedade. Esse é o mesmo preceito necessário a uma estratégia efetiva de combate e de adaptação à mudança do clima, capaz de reduzir a deterioração do meio ambiente em solo brasileiro e de colocar o país em rota de competitividade de sua economia frente a uma nova realidade que se desenha mundialmente nessa área, marcada pela inovação e pela redução dos impactos sobre a natureza.

Se a COP 17 e cada um dos países envolvidos no processo estiverem atentos para os sinais que a sociedade global emite nas manifestações que vêm ocorrendo nos últimos tempos, enxergarão aí uma demanda contundente por ações concretas e duradouras em prol do “nosso futuro comum” (o lema do desenvolvimento sustentável) e o ambiente inequívoco para que o combate às mudanças climáticas se torne um norte permanente à atuação política e econômica das nações.

Ricardo Barretto

A funcionária, eu e a bicicleta: uma história de desconexões no metrô de São Paulo

outubro 6, 2011

A Via Quatro, empresa que opera a linha amarela do Metrô de São Paulo, se apresenta à sociedade paulistana como sinônimo de modernidade e integração. A tecnologia das composições e estações nos lembra o primeiro mundo, e impressionam em uma cidade com um passivo em transporte público de qualidade tão significativo como São Paulo, pena que a falta de transparência e respeito aos usuários, incluindo os ciclistas, nos lembre que temos muito a evoluir.

A linha amarela, que tem como slogan: “a linha que veio para integrar”, não está interessada na integração com o modal cicloviário. Explico:

Capítulo 1

O primeiro encontro

No início de setembro, mês em que se comemora o Dia Mundial Sem Carro, enquanto aguardo o elevador que me levaria à plataforma de embarque na estação Paulista, a funcionária denominada “Sra. X” nesse relato me aborda explicando que bicicleta no metrô é permitida apenas após às 20h30 horas.

Argumento que se trata de um modelo dobrável, de pequenas proporções, e que devidamente dobrada deveria ser encarada como qualquer outra bagagem de pequeno volume, e não com uma bicicleta comum. Sugiro que ela deva estar enganada, já que venho há mais de um mês fazendo o trajeto Butantã – Paulista – Butantã, sempre levando comigo a bicicleta dobrável, e que nunca havia recebido esse tipo de orientação dos funcionários da Via Quatro.

  

A inofensiva bicicletinha, antes e depois de ser dobrada, em frete a Estação Butantã (onde nunca tive problemas para embarcar).

Sra. X está irredutível e acrescenta que a bicicleta deveria estar dentro de uma capa. Saco a capa da mochila e embrulho a bicicleta. Não parece o suficiente para a funcionária.

Pergunto pelo gerente da Estação Paulista e digo que gostaria de esclarecer com ele a política da empresa para o transporte de bicicletas dobráveis. Sra. X diz que ele não se encontra e que na sua ausência ela é a autoridade responsável. Fico estupefato com o argumento. Por fim me libera, não sem antes alertar: “da próxima vez que te encontrar nessa estação você não embarca!”

Sigo caminho injuriado e na estação Butantã busco me informar sobre a tal política. Um funcionário diz não haver restrições de horário para as dobráveis, mas insisto que preciso de uma posição formal. Ele me orienta a procurar a ouvidoria.

A ouvidoria está surda!

Busco esclarecimentos no site da empresa, sem sucesso, e no dia 15 de setembro encaminho um e-mail para a ouvidoria, relatando o incidente com a funcionária e pedindo uma posição institucional sobre a política da Via Quatro em relação ao transporte das tais bicicletas dobráveis. Uma, duas, três mensagens enviadas e nada.

Penso: o papel da ouvidoria não é justamente ouvir as pessoas e clientes da empresa? Se a ouvidoria não te escuta, a quem recorrer?

Vencido pelo cansaço, depois de uma rara tentativa de exercer a cidadania, desisto (temporariamente) da briga com a Via Quatro. Continuo usando diariamente a linha 4 e passo a temer um reencontro com a funcionária que não gosta de ciclistas.

O segundo encontro

O fatídico reencontro se dá no dia 29/09 às 18h00. No mesmo local do primeiro encontro, Sra. X me aborda dizendo que é a segunda vez que me encontra no metrô com a bicicleta dobrável, como se estivesse cometendo um crime, e que dessa vez não poderei seguir viagem. Explico que tentei um esclarecimento junto a Ouvidoria e não tive resposta, e peço para que ela me mostre um documento que comprove a proibição de levar as dobráveis. Ela diz: “isso faz parte da rotina operacional.“

Já atrasado para buscar minha filha na escola e bastante impaciente, digo que preciso seguir caminho e que enquanto a empresa não adotar uma posição formal continuarei usando a bicicleta dobrável no metrô. Na tentativa de pegar o elevador (de uso preferencial, mas não exclusivo, para idosos, deficientes, grávidas, etc) sou impedido pela moça. O elevador esta vazio, mas ela parece se deliciar em dificultar ao máximo a minha vida. Cedo e vou pela escada rolante.

Resultado do segundo encontro: depois do dia arruinado em alguns poucos minutos pelo abuso da funcionária da linha amarela, recupero minha indignação e a vontade de comprar a briga com a Via Quatro até que os ciclistas e clientes sejam tratados com respeito. Escrevo esse texto e um depoimento nas redes sociais, na esperança de ser ouvido e de que uma política para o transporte das bicicletas dobráveis seja estabelecida pela empresa.

Aprendizado e esperança

Esse relato pessoal ilustra (i) como a Via Quatro está despreparada para lidar com essa nova e crescente realidade das bicicletas dobráveis, que se apresenta como uma opção eficiente e não poluente de deslocamento, e (ii) como os ciclistas que buscam cordialmente um posicionamento, são ignorados pela empresa. A intermodalidade propiciada pela integração das bicicletas dobráveis e metrô ainda está longe de ser fomentada pela linha da integração, a linha amarela, embora tenha sido inaugurada recentemente uma ciclorota que interliga a Cidade Universitária a Estação Butantã de Metro, estimulando justamente a integração bicicleta – metrô na região (desarticulações entre políticas públicas?).

  

Ciclovia e ciclorota que interliga a Cidade Universitária (Portão 1) a Estação Butantã.

Enquanto a empresa não se posiciona, fica a esperança de que seja aprovado o projeto de lei n° 655/2009, do vereador Chico Macena, que altera a Lei das Ciclovias (Lei 14.266) e determina que a “a bicicleta do modelo dobrável é considerada bagagem de mão, e pode ser transportada em qualquer meio de transporte público ou privado, como trem, ônibus e metrô, em qualquer dia ou horário, desde que dobrada e com o sistema de pedal, câmbio, corrente, coroa e catraca protegidos de contato direto com outros usuários, e suas dimensões e peso não ultrapassem o limite máximo permitido de bagagem por pessoa nas normas de uso do respectivo meio de transporte” (Art, 1°-A, Parágrafo I, § 2º). E a torcida para que a funcionária passe a simpatizar com os ciclistas.

Capítulo 2

Após escrever o Capítulo 1 dessa história, no último dia 4 de outubro, 20 dias depois do primeiro contato com a ouvidoria e após a intervenção do supervisor da Estação Paulista (que me atendeu muito bem por sinal), recebo a seguinte resposta da ouvidoria:

“Prezado Sr. Juliano, boa tarde

Em consulta à área de operação, fomos informados que o horário para transporte de bicicleta montada e empurrando-a, é após às 20h30 durante os dias da semana. Aos sábados, é permitido somente após às 14h00 e aos domingo é livre o dia todo.

Já para o transporte da bicicleta dobrada e embalada em capa própria, a única restrição é que esse volume não exceda o gabarito que se encontra na entrada de todas as estações da Linha 4-Amarela.

De toda forma, ressalto que a colaboradora em questão e todos os outros agentes das estações já foram reorientados em relação à conduta com nossos usuários e principalmente em relação ao transporte de bicicletas nestas condições.

Peço desculpas pelo transtorno involuntariamente causado e permaneço à disposição para outros esclarecimentos.

Atenciosamente,

Ouvidoria”

Em uma segunda mensagem a Ouvidoria se compromete a divulgar o procedimento para o transporte das dobráveis no site da empresa, que esta em fase final de construção.

Valeu insistir no diálogo com a empresa. Agora posso ir e principalmente VOLTAR sem grandes preocupações (sempre levando na mochila a resposta da ouvidoria, só para garantir).

Juliano Mendonça

Dê um empurrãozinho

outubro 3, 2011

O livro Nudge fala sobre como podemos “dar um empurrãozinho” para ajudar as pessoas a tomarem melhores decisões, pela maneira como apresentamos a elas o problema ou as alternativas para resolvê-lo. Mais conhecido pelo formato livro, o projeto também tem uma interface em blog.

Boas estratégias de argumentação para quem trabalha com sustentabilidade!

Fabio Storino

Relato: Programa Brasileiro GHG Protocol se firma como referência para a América Latina

setembro 28, 2011

Em agosto a equipe do Programa Brasileiro GHG Protocol teve a oportunidade de participar de dois workshops promovidos pelo World Resources Institute (WRI) em Bogotá.  O encontro contou com representantes de diversos países como Argentina, Equador, Guiana, Peru, Colombia,  entre outros, e teve como foco principal fomentar a criação de novos programas nacionais na América Latina. O encontro foi o primeiro do gênero, um piloto a ser replicado pelo WRI em diversas regiões do planeta nos próximos anos.

Nos dois primeiros dias o objetivo do encontro foi treinar futuros instrutores na metodologia GHG Protocol, a mais utilizada no mundo, atualmente, para o cálculo e relato de emissões de gases do efeito estufa (GEE) de empresas. Participamos como treinadores do processo que abordou o conteúdo técnico da metodologia, além de estratégias de treinamento como didática e apresentação.

A experiência foi muito rica, primeiro pelo desafio de tentar passar um conteúdo complexo em uma língua estrangeira: passamos a semana toda entre o inglês, o espanhol e o português, o que pode ser bastante confuso em alguns casos, com momentos cômicos até. E também pelo fato de termos agregado um conhecimento importante para a estratégia de crescimento nacional do programa brasileiro, o de treinar futuros instrutores. Esta nova abordagem possibilitará a descentralização do processo e, consequentemente, o acesso de muito mais empresas à metodologia de elaboração de inventários corporativos de emissões, algo essencial para viabilizar a formação de uma economia de baixo carbono no país.

No terceiro dia do encontro, todos passaram por um teste escrito e oral sobre o GHG Protocol. Foi interessante ser avaliado sobre um assunto com o qual trabalhamos todos os dias no Brasil, um processo de feedback sobre nosso trabalho. A prova não foi fácil, mas recebemos esta semana o resultado positivo, passamos no teste que nos oficializa como treinadores do GHG Protocol. Foram os primeiros certificados do gênero emitidos pelo WRI!

Os dois últimos dias desta semana intensa foram dedicados ao Program Design Workshop, cujo objetivo era passar ao público os principais passos para a criação de um Programa Nacional. Os módulos abordaram questões como busca de financiamento, engajamento das empresas, formação de equipe, formação de parcerias, entre outras. Pudemos apresentar o case Brasil, que foi muito bem recebido pelos representantes dos vários países. Foi grande o  interesse demonstrado pelo Programa, principalmente por seu rápido crescimento: de 27 empresas em 2008 para aproximadamente 80 em 2011. Também chamou atenção a variedade de ferramentas criadas ao longo dos anos para apoiar as empresas na elaboração de seus inventários. Destaque para o Registro Público de Emissões que é a via de contato e comunicação dos resultados dos inventários com os diversos stakeholders das empresas e o público em geral.

O case Brasil foi sem dúvida o que provocou maior interesse dos presentes, nos colocando como benchmark, algo que já havia sido destacado durante a apresentação do Pankaj Bathia, Diretor Geral do GHG Protocol, durante o Evento Anual do Programa, em agosto deste ano.

Foi extremamente gratificante participar desse encontro pioneiro pois, além de evidenciar ainda mais o caráter global da questão com a qual estamos lidando, pudemos contribuir para o engajamento do setor privado de outros países da América Latina, etapa crucial para que possamos trilhar um novo caminho para o desenvolvimento, um caminho de eficiência carbônica e de muitas oportunidades. Fica cada vez mais claro para o setor privado global que estamos vivenciando uma nova ordem onde sustentabilidade significa competitividade. Esta percepção é necessária para progredirmos na construção da economia de baixo carbono.

Roberto Strumpf

Brasil morno como a COP 17

setembro 26, 2011

Com as sucessivas ressacas das últimas COPs do clima, pouco se tem ouvido falar da 17a. Conferência das Partes da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima. Isso não quer dizer que o desafio que a originou – a alteração do regime climático do planeta pela ação humana – esteja sendo tratado de modo apropriado. Pelo contrário, estudo do Joint Research Centre da União Europeia, divulgado esta semana pela imprensa, mostra que as emissões de gases do efeito estufa cresceram 45% entre 1990 e 2010, batendo a marca inédita de 33 bilhões de toneladas.

Para quem acha o dado alarmante, é importante ter em mente que os números poderiam ser piores, não fosse a crise mundial que causou desaceleração da economia. Ainda assim, os Estados Unidos tiveram aumento de 5% de suas emissões e no Japão elas se mantiveram estáveis. A Comunidade Europeia conseguiu reduzir suas emissões em 7% – abaixo do patamar de 5,2% sobre os índices a 1990, estipulado pelo Protocolo de Kyoto – e a Rússia em incríveis 28%. Ou seja, o cenário que se apresenta é de forte crescimento das emissões dos países em desenvolvimento, que em números absolutos ainda são menores que das nações desenvolvidas. Entre 2009 e 2010, as emissões aumentaram em 10% na China, 9% na Índia e 5% no Brasil, no México e na Coreia do Sul.

Se desafio é o que não falta para os países que estarão representados na COP 17, o mesmo não se pode falar da vontade política, essa anda bem escassa quando o assunto é mudança de modelo econômico – algo essencial para combater as mudanças climáticas. Em parte por conta de lobbies existentes nos diferentes contextos nacionais de setores contrários a um redesenho e em parte pelo custo inicial necessário.

Um indicador da urgência das mudanças vem do Banco Mundial, que produziu um relatório a ser apresentado na reunião de ministros do G20 em novembro, definindo recomendações para levantar recursos para ações de mitigação e adaptação, como corte nos subsídios dos combustíveis fósseis, piso de US$ 25 para créditos de carbono e taxação das emissões do setor de transportes, conforme informa o The Guardian.

Para adotar esse tipo de iniciativa, os países desenvolvidos certamente cobrarão por uma ação mais compartilhada com os emergentes, cuja responsabilidade no contexto do aquecimento global aumenta não só pela intensificação de suas emissões, mas pelo maior peso político e econômico que vêm alcançando nos últimos anos.

E o caso brasileiro deve ganhar destaque nas discussões. O desmatamento voltou a aumentar nos últimos meses, os sinais de enfraquecimento da legislação ambiental interna se multiplicam e a Política Nacional sobre Mudança do Clima, bem recebida na COP 15, ainda não saiu do papel. O país apresentará na Conferência de Durban os planos setoriais que correspondem às propostas internas do país para mitigação. Mas para que as ações brasileiras sejam consistentes, é necessário que sejam estabelecidas de modo integrado com as diferentes áreas do governo federal, bem como com as esferas estadual e municipal.

O marco regulatório tem sido considerado um dos principais entraves ao combate às mudanças climáticas pelo Brasil. O setor privado já leva adiante iniciativas como a plataforma Empresas pelo Clima (EPC), coordenada pelo GVces, mas não tem os parâmetros da atuação governamental e da legislação para planejar a longo prazo e empreender modificações operacionais e de estratégia que sejam compatíveis com uma economia de baixo carbono.

É preciso que o Estado brasileiro entre no compasso dos atores internacionais e nacionais que estão olhando para o futuro do planeta e da sociedade, para garantir a parte do país no esforço global pelo clima e a sincronização do Brasil com um processo de renovação da economia mundial.

Ricardo Barretto

Deu na mídia no Dia Mundial Sem Carro

setembro 22, 2011

Abaixo, destaques da imprensa para o dia 22 de setembro. O clipping faz parte de serviço diário oferecido pelo GVces aqui

Transportes públicos de SP ampliam em duas horas horário de pico na quinta
22/09/2011 - Fonte: Agência Estado

Só 16% dos paulistanos não usam automóvel
22/09/2011 - Fonte: Agência Estado

Transporte público e dificuldade de mobilidade são desafios para o Dia Mundial sem Carro
22/09/2011 - Fonte: Agência Brasil

Aumenta número de paulistanos dispostos a trocar carro por transporte público
22/09/2011 - Fonte: Agência Brasil

Em SP, um mês por ano gasto ao volante
22/09/2011 - Fonte: O Globo

Cresce número de carros que transportam uma só pessoa
22/09/2011 - Fonte: Folha de S.Paulo

Pesquisa traça ‘rota de conforto’ para os ciclistas
22/09/2011 - Fonte: Folha de S.Paulo

Em Copenhague, congestionamento de bikes
22/09/2011 - Fonte: Página 22

64ª edição do Salão de Frankfurt mostrou o futuro da mobilidade
22/09/2011 - Fonte: Correio Braziliense

13% usam carro todos os dias em São Paulo
22/09/2011 - Fonte: O Estado de S. Paulo

Vá de bicicleta: custa menos e é mais rápido
22/09/2011 - Fonte: O Globo

Pegue um ‘BikeBus’ no Dia Mundial Sem Carro 2011
22/09/2011 - Fonte: Blog Vá de Bike!

Rede Nossa São Paulo e Ibope divulgam 5ª edição da pesquisa Dia Mundial Sem Carro
22/09/2011 - Fonte: Rede Nossa São Paulo

Paulistanos consideram que problema do trânsito está se agravando na cidade 
22/09/2011 - Fonte: Rede Nossa São Paulo

Ciclistas de São Paulo incentivam o uso de bikes no Dia Mundial sem Carro
22/09/2011 - Fonte: EcoDesenvolvimento

Prefeituras dependentes do setor automotivo divergem sobre IPI
22/09/2011 - Fonte: Valor Online

Mobilidade Urbana continua sendo maior desafio para o Brasil em grandes eventos
22/09/2011 - Fonte: EcoDesenvolvimento

Se essa rua fosse minha
22/09/2011 - Fonte: Página 22

Bicicleta ganha mais uma vez desafio no trânsito de São Paulo
22/09/2011 - Fonte: G1.com.br

#florestafazadiferença !!!

agosto 12, 2011

O Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável tem como objetivo mobilizar senadores e a sociedade através de mecanismos online  -  petição e redes sociais  -  e presenciais como eventos e  abaixo  assinado – para a discordância com relação ao PLC 30/2011 aprovado pela Câmara dos Deputados.
O Comitê é formado por quase 100 organizações da sociedade civil brasileira que lutam para que o Código Florestal possa garantir efetivamente a conservação e uso sustentável das florestas em todos os biomas brasileiros, tratar de forma digna agricultores familiares e populações tradicionais, garantir a recuperação florestal das áreas ilegalmente desmatadas, reconhecer e valorizar quem promove o uso sustentável, contribuir para evitar desastres ambientais e ajudar a garantir água de boa qualidade para as cidades e acabar de vez com o desmatamento ilegal.
Através do site é possível, além das ações citadas, baixar cartazes, descobrir onde há um abaixo assinado mais próximo de você, e conhecer e compartilhar conteúdos nas e das redes sociais. Teclando a #florestafazadiferenca também é uma forma de participar.

Luiza Xavier


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